Ouvindo esta afirmação de forma recorrente, resolvi analisar...
Acompanhei a montagem de uma pastelaria na feira e algumas horas de operação. Não me perguntem o que eu estava fazendo acordado e disponível para esta avaliação... Não se atentem à cronologia das coisas, como estava com sono, talvez não tenha percebido detalhes, ou não tenha compreendido bem os passos (lebrem-se: sou computeiro!)
Bom, a equipe de pasteleiros chega cedo e começa a montar a barraca. Eles param com a kombi véia-de-guerra na esquina da feira e começam a descer a barraca e os apetrechos. Dada minha fluência neste universo, não sei o nome de nada, portanto vou utilizar termos genéricos (quase um meta-modelo... er... desculpem a recaída).
Enquanto um japonês monta a estrutura da barraca, outro japonês (ou será o mesmo, caraca, como são parecidos!) monta os equipamentos. Ele monta a frigideira gigante, enche a bagaça de óleo e testa o fogo. Aí ele traz umas gavetinhas com uns paninhos brancos e coloca em uma estrutura parecendo um gaveteiro. Terminam a decoração do lugar com condimentos e guardanapos, espalham umas banquetas e esperam o primeiro freguês.
Os fregueses vão se amontoando e vão pedindo os pastéis de forma aleatória, em voz alta e os atendentes vão executando as solicitações sem dar muito feedback para o solicitante. De forma muito ágil, um japonês com uma faixa amarrada na cabeça e de cara fechada, sem piscar ou sem demonstrar reações faciais além da cara fechada, alterna movimentos ágeis na frigideira gigante com imensos hachis (pauzinhos) e as gavetas cobertas de panos brancos que guardam os pastéis.
Cada pastel pronto ele coloca em uma armação metálica onde outro japonês (por vezes do sexo feminino) tem o trabalho de dar uma picotada na ponta do pastel, envolvê-lo em um monte de guardanapos e gritar o tipo do pastel. O solicitante, atento, grita "É meu!" e o atendente entrega o pedido rapidamente. Uma variação é o solicitante gritar "É meu! É pra viagem!". Sem olhar para a cara do solicitante, o atendente joga tudo da forma que está em um saco de papel, fecha e entrega para o solicitante.
Algumas questões interessantes quando comparamos com a TI:
- Quem diabos arrumou as gavetinhas com os pastéis?!? Quanto tempo demorou para organizar tudo?
- Porque o solicitante ajuda a gerenciar as entregas na pastelaria? Ele ia ficar esperando o japonês descobrir sozinho quem pediu aquilo, afinal, é responsabilidade dele?
- Se o solicitante ficar reclamando que não tem pastel de abobrinha, e o japonês ignorá-lo ele vai choramingar com o diretor e conseguir o maldito pastel de abobrinha?
- Porque na pastelaria, a diferença de comer ali mesmo e o delivery é só o saco de papel? Por que não precisam refazer tudo do zero?
- Será que dá certo com Moqueca a Capixaba?
- E se trocássemos os japoneses por franceses?
Na boa... TI parece pastelaria, mas para chegar lá, precisamos nos organizar melhor... :-)